Morar fora de seu país de origem é uma experiência muito enriquecedora para a vida. É uma ocasião favorável para aprender coisas novas e explorar outras potencialidades pessoais, porém não é nada fácil.

É necessário transpor, a cada dia, uma enorme barreira, seja por questões burocráticas, para aprender novos hábitos, se adaptar a culturas diferentes e que chocam nos momentos iniciais, além das diferenças de linguagem e de etnias, mesmo que você acredite ser fluente no idioma do país para onde está indo. Fora isso, a velocidade da fala, o vocabulário local e as gírias dificultam muito a comunicação inicial.

Falando de culturas diferentes, nem sempre podemos dizer que uma cultura é melhor e a outra é pior. O “diferente” em um outro país é você, e não os outros. Por isso, é muito importante se abrir para as novas experiências e não enxergá-las como uma ameaça ou como ridículas, estranhas ou incompreensíveis.

A comida é outro fator intimamente ligado à cultura local. Nosso organismo não está programado para certos temperos e iguarias. Apesar de nos alimentarmos com comidas de diversos países, estes pratos são sempre adaptados ao nosso paladar, ao nosso organismo. Você poderá ter, no início, vários problemas gástricos e intestinais e não há nada que se possa fazer a não ser se adaptar.

A adaptação da família que migra junto é a chave para o sucesso de uma mudança. Se ela não se adaptar, a mudança será desastrosa. O empenho para esta adaptação deve ser de todos, uma vez que os desafios que a família deve enfrentar são infinitamente maiores do que os desafios do pai ou da mãe que está sendo transferido para outro país. Quem do casal for nesta jornada como acompanhante, na maioria das vezes, deixa uma carreira para trás para se tornar literalmente uma/um “dono(a) de casa”. A mordomia de ter alguém que faz todo esse serviço para você não existe lá fora. Esse é um luxo brasileiro.

O pior sentimento em uma mudança é a solidão, e é necessário estar atento a este sentimento e procurar ajuda imediatamente se sentir que não consegue transpor essa dor e entrar em depressão ou ansiedade exagerada. Você chega a um novo país sem ter amigos ou parentes e terá muita dificuldade para se aproximar de outras pessoas, pois elas serão bem distantes e, no trabalho, dificilmente alguém irá se dedicar a te acolher, explicar, enturmar como nós brasileiros fazemos com o estrangeiro. Você terá que ser excepcional para ser notado e, somente a partir daí, irão perceber que você está entre eles e é um deles.

Muita atenção ao custo de vida! No início, você não saberá onde é mais barato comprar e acabará gastando mais do que estava previsto. A moeda é um elemento estranho para você, ainda não terá sensibilidade para saber o valor dela. Somente o tempo lhe ensinará a administrá-la.

Outro fator de stress é o trânsito. Você pode ser um excelente motorista, porém em outro país você terá muita dificuldade de dirigir e aprender as novas regras. Na maioria dos países, se usa muito a buzina e as regras de trânsito são muito rígidas, além de serem milimetricamente seguidas, o que não é bem como na cultura brasileira.

 

Erwina Blunk
Sócia de Global Mobility

Atua há mais de 35 anos na área de Mobilidade Global. Possui experiência em assessoria administrativa e estratégica para empresas multinacionais que necessitam de elaboração de políticas internacionais de expatriação, vistos e documentos, relocation, seminários sobre adaptação ao Brasil, questões culturais, modos de viver e tradições, ser um executivo no Brasil e suporte em repatriação.

 

Smart decisions. Lasting value.

© 2019 Crowe Macro Auditoria e Consultoria Ltda.
Crowe Macro Auditoria e Consultoria Ltda. is a member of Crowe Global, a Swiss verein. Each member firm of Crowe Global is a separate and independent legal entity. Crowe Macro Auditoria e Consultoria Ltda. and its affiliates are not responsible or liable for any acts or omissions of Crowe Global or any other member of Crowe Global.