Em meu artigo “Estratégias de fusões e aquisições para superar os novos paradigmas vinculados à transformação digital”, publicado em 2019, respaldei a necessidade das empresas estruturarem estratégias de longo prazo para reformularem seus modelos de negócio, principalmente impulsionados pelos impactos da digitalização e pelo poder da tecnologia. Na época que escrevi o artigo, a celeridade da demanda por digitalização dos negócios atingia apenas alguns setores de forma aguda. A pandemia atual ampliou e acelerou o cenário de transformação aguda de forma inesperada.  Assim, reforça-se o dogma de que as empresas que investem na elaboração de estratégias de longo prazo e na capacidade de transformação são mais resilientes em condições adversas.

A sensibilidade da maioria dos empresários e executivos para a urgência deste tema evidenciou que está se desenhando um horizonte futuro pautado na reformulação dos modelos de negócio e que passa pela digitalização e utilização de tecnologia. Proponho uma reflexão sobre a construção de uma trajetória empresarial alicerçada em planejamento estratégico e capacidade de transformação:

Preliminarmente, vale lembrar que a sociedade moderna já vivenciou diversos ciclos econômicos, que apresentam períodos de expansão e retração da atividade econômica. Talvez o cenário atual de pandemia possa ser a pior crise econômica global desde 1929, quando foi detonada o crash da Bolsa de Valores de Nova York, mas não será o último.

A perspectiva de vivenciar momentos de grandes adversidades é um fator decisivo para buscar alternativas de mitigação dos impactos destas situações, que podem ser originados por grandes crises como a gerada pelo COVID-19 ou por impactos produzidos por alguma alteração mercadológica aguda. Vamos relembrar que há cerca de 12 anos, o Mundo se deparava com outro período econômico turbulento: a crise do subprime, que contribuiu para causar uma conjuntura atribulada de confiança e, logo em seguida, outro cenário de retração econômica guiado pela crise do preço das commodities em 2015. Em todos os fatos citados resultaram em impactos que foram sentidos pela maioria das empresas em todo mundo, mesmo aquelas que não estavam ligadas diretamente à origem do panorama negativo.

Por outro lado, é possível distinguir diversas organizações pelo mundo que superaram os períodos recessivos e de retração econômica. Seguramente muitas destas empresas mantinham na pauta das discussões estratégicas uma avaliação de seus principais drivers de valorização e potenciais transformações.

Atuar sistematicamente neste sentido pode afetar positivamente a velocidade de reação em relação à possíveis impactos de continuidade dos negócios e a compreender previamente a exposição da empresa à potenciais riscos e benefícios a serem capturados em face a exposição da empresa nestes cenários disruptivos.

O Magazine Luiza é um exemplo no Brasil, que há 5 anos definiu a transformação digital como a principal estratégia da Companhia e divulgou esta estratégia na sua página de Relações com Investidores. Notadamente a empresa já se deparava com um cenário desafiador antes de impulsionar a digitalização do negócio, atuando através de uma estratégia de M&A para acelerar a transformação. O planejamento e execução bem orquestrados desta estratégia não foi apenas fundamental no enfrentamento da crise gerada pelo COVID-19, mas também fez o valor das suas ações saltarem de R$ 0,49 em junho de 2015 para R$ 71,40 em junho de 2020.

Outro exemplo que reforça a aceleração das transformações dos negócios para o ambiente virtual é a plataforma de comércio online para empresas Shopfy. Apesar da empresa nascer digital, teve sua trajetória de crescimento evidenciada pela mudança de comportamento de consumo e pela adaptação de estratégias empresariais para este ambiente. Neste sentido, seus acionistas testemunharam o valor das ações irromper a cotação de U$ 27,39 em junho de 2015 para US$ 881 em junho de 2020.

Um estudo do IDC – Impact on Consumer Technologies de maio de 2020, aponta que o engajamento do cliente é um dos dois principais objetivos estratégicos das organizações em nível global e passa pela experiência do cliente no ambiente online. O estudo também indica que 52% dos entrevistados no Brasil indicam que dedicarão mais horas online, inclusive envolvendo compras online.

Adicionalmente, mas sem fazer um exercício de futurologia, o planejamento estratégico angariado a questões-chave como a adoção de tecnologias digitais em todas as fases da cadeia de valor do negócio, combinada com a reorganização dos processos de trabalho e reestruturação do negócio tornará os negócios mais eficientes, competitivos e resilientes. É possível comprovar intensamente a importância e iminência de acelerar esta transformação quando observamos as mudanças imputadas pelo novo ambiente de negócio e pelas restrições operativas face à crise global causada pela pandemia do coronavirus.

O momento atual comprovou que todas as empresas são vulneráveis de alguma forma à disrupção digital, e os que ainda pensavam estar imunes à estas mudanças foram abatidos em pleno voo. Por outro lado, a dificuldade de fazer conexões entre a situação atual da companhia e a visão de longo prazo gera riscos significativos, principalmente em cenários de mudanças agudas como o que estamos vivenciando. Neste sentido, as organizações que empregam esforços de maneira sistemática em planejar suas estratégias de médio e longo prazo se habilitam a enfrentar situações de transformação com maior assertividade, uma vez que se planejaram e promoveram discussões em um cenário de maior conforto e não em um ambiente de vulnerabilidade.

Por fim, vale ressaltar que, certamente, as organizações mais adaptadas ao “novo normal” serão mais eficientes no desenvolvimento dos seus negócios pós-crise e estarão em melhores condições de reagir a outras situações adversas, podendo inclusive capturar as oportunidades geradas. Desta forma, é crucial estar atento à revisão constante dos impactos das decisões estratégicas nos resultados e na valorização da empresa.

Temos um time de profissionais especialistas e com larga experiência em planejamento estratégico focado na geração de valor, estruturação de plano de negócio e serviços de avaliação econômica, para apoiar as empresas em todo ciclo de transformação.

 

 Luis Bracourt – Sócio de Corporate Finance
Atua há mais de 25 anos como executivo. Possui grande experiência em expansão internacional na América Latina, gestão empresarial, M&A, melhoria de eficiência e dinâmica do processo Start-ups. É atuante em processos de expansão e consolidação de negócios e também como assessor financeiro através de mandatos (buy-side e sell-side).

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