Escrever sobre Crise de Saúde Global na atual conjuntura é um grande desafio, ainda mais para a nossa geração, em que o último grande evento global que afetou a forma de vida das pessoas foi a 2ª Guerra Mundial. Até o final de 2019, o termo Pandemia não integrava o nosso vocabulário, mas em pouco mais de três meses, o Coronavírus (COVID19) vem transformando a humanidade e deixará marcas profundas em todos nós.

A verdade é que vai demorar algum tempo para as pessoas compreenderem o que está acontecendo no mundo e, principalmente os seus efeitos. No presente, com países inteiros em quarentena, o isolamento é a regra prioritária conforme determinação dos respectivos órgãos governamentais e de saúde. Por sua vez, as empresas de todos os portes e segmentos, bem como os seus colaboradores, independentemente do nível ou cargo, vêm se adaptando. Na verdade, todos nós estamos aprendendo com a crise. Quando as coisas voltarem ao normal, teremos que reavaliar sobre a forma como trabalhamos e como nos comunicamos. Ênfase na tecnologia de informação, menos gente circulando, escritórios menores compartilhados e principalmente, menos custos. E com tudo isso, provavelmente, mais produtividade. O futuro próximo será caracterizado por um profundo exame de consciência e pela formulação de novos modelos sociais e esperamos que, políticos.

Voltando para a nossa realidade como pequeno ou médio empresário, se por um lado, a restrição do contato social faça sentido para não ampliar a disseminação do vírus, por outro, cabe ressaltar sobre os efeitos colaterais desta situação. Penso que serão devastadores, pois a engrenagem que faz a economia girar, simplesmente parou. A OCDE, por meio de seu secretário-geral, Angel Gurría afirma que os efeitos na economia já são maiores que os da crise de 2008 e 2001, após os ataques de 11 de setembro daquele ano. É quase certo que o mundo entrará em recessão na atual conjuntura, quando se estima que desemprego e falências empresariais atingirão níveis nunca antes vistos por nossa geração. Os governos ao redor do planeta vêm tomando medidas no sentido de ajudar a população e as pequenas e médias empresas durante a pandemia. Para os países desenvolvidos, como Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos, a perspectiva de recuperação é muito mais rápida. Por outro lado, países como o Brasil, refém das commodities (com preços definidos no mercado internacional) e que também é um dos líderes em desigualdade social com uma grande quantidade de pobres, terá muito mais dificuldades para se recuperar. E esse é o ponto crucial. O que fazer?

Nossa mensagem é para você, pequeno e médio empresário, que começou a empreender há alguns anos, que talvez esteja na 2ª geração e que construiu algo importante para si e sua família, que contribui na geração de algumas dezenas ou centenas de empregos, no desenvolvimento da Sociedade como um todo e que busca sobreviver.

Vamos lá:

a) Assuma o controle da situação: Na crise, o cenário é de modificação. O empresário deve assumir como o comandante do navio e não se vitimizar. O seu foco não deve ser nos problemas, mas na solução dos problemas. E terá que estar preparado para tomar muitas decisões, algumas difíceis.

b) Não busque os culpados: Com o estrago feito, agora não importa quem são os culpados, até porque não serão eles que resolverão o seu problema. É difícil dizer quem é o culpado pelo que estamos vivendo atualmente. Na atual conjuntura, quando falamos de uma crise global e generalizada, todos devem estar pensando na mesma coisa, na sua própria sobrevivência;

c) Não espere ajuda de ninguém: Esqueça o governo, bancos e até dos amigos. Eles não resolverão a sua situação. Entre o que governo preceitua que vai ajudar e que ocorre na prática, existe uma grande distância e não é possível ficar esperando. Por exemplo, durante esta crise, diariamente, agentes do governo anunciam medidas para minimizar os efeitos econômicos nas vidas dos indivíduos e das micros e pequenas empresas. Na prática, a burocracia e morosidade não permitem que o resultado destas ações chegue até o seu destino de forma rápida. O apoio financeiro dos órgãos governamentais é importante e quem se enquadrar nas regras, deverá usá-lo, mas não será a solução dos problemas. Pense em um folego para algumas semanas, mas não para agora. Afinal, as contas chegam todos os dias e devem ser pagas;

d) Seja transparente com todos os interessados sobre a situação: Faça um pacto com os seus colaboradores, começando pelos sócios e terminando com o office boy. Seja transparente sobre a situação da empresa, o que é mais importante, quais serão as prioridades. Deixe claro que conta com o apoio de todos para buscarem uma solução conjunta. Se comunique de forma que consiga a adesão de todos para o que for necessário para superar a situação. Afinal, é uma questão de sobrevivência;

e) Tenha números! É bom lembrar que a gestão financeira da empresa sempre deve ser eficiente. Temos que saber exatamente o que temos para pagar e receber no curtíssimo e médio prazo. Estabeleça prioridades, sendo que a folha de pagamento sempre é a obrigação mais importante;

f) Incorpore a arte da negociação na sua vida: Tenha uma proposta realista e factível e negocie tudo o que puder. Vá até os limites de negociações com fornecedores, credores e principalmente bancos. Obviamente, a conversa não é a mesma para cada credor. Com bons argumentos, é possível afirmar que em 100% dos casos, chegarás a um acordo satisfatório;

g) Esteja próximo dos seus clientes: Oriente as suas equipes de vendas ou de atendimento para que estejam próximas dos clientes. Neste momento difícil não devemos parecer oportunistas, mas precisamos mostrar que somos parceiros efetivos dos clientes, no sentido de também entender as suas angústias, negociar com eles os valores que temos para receber (se for o caso) e principalmente manter a fidelidade, quando a situação voltar ao normal;

h) Seja resiliente: Estamos em guerra contra um inimigo invisível. Não entre em pânico. Se você se sente impotente e confuso diante da situação, isto é totalmente normal. Os desafios para a nossa geração não têm precedentes e para contribuir, as dúvidas e as divergências de opiniões não têm fim. Por outro lado, podemos mostrar que estamos à altura do momento se mantivermos nossos receios sob controle e formos mais humildes em nossas posições;

Em termos práticos, esteja preparado para liderar a sua empresa no que promete ser o ambiente de negócios mais difícil das últimas décadas. Por fim, é nas crises que nos reinventamos e quem sobreviver sairá fortalecido e muito melhor em seu desempenho empresarial, construindo o alicerce de uma grande empresa no futuro.

 

      Marcelo Lico – CEO do Grupo Crowe Macro 

Ativo na área de contabilidade desde 1986, atua há mais de 30 anos no segmento de auditoria e consultoria. Especialista em finanças corporativas e práticas de governança, é autor de diversos artigos e palestras relacionadas à governança e questões empresariais. Conselheiro Suplente no Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo – CRCSP.
Em 2001 fundou a Macro Auditoria e Consultoria, hoje Crowe Macro, na qual atualmente é responsável pela estratégia da operação no Brasil, além de liderar a indústria de Real Estate dentro da companhia.

 

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