O mercado de capitais brasileiro está a todo vapor. Em 2020, 28 Companhias realizaram Ofertas Públicas via Bolsa (B3), movimentando um valor superior a R$ 43 Bilhões, considerando ofertas primárias (capital direto na empresa) ou secundárias (ofertas feitas pelos donos de um grande lote de ações que vendem para outros investidores). Além disso, outras 24 Companhias realizaram FOLLOW ONs (Empresas já listadas que decidem fazer novas captações de recursos por meio da Bolsa), movimentando mais de R$ 70 Bilhões. Ou seja, foram mais de R$ 113 bilhões movimentados no mercado de ações brasileiro no ano passado.

Os principais segmentos nos referidos processos foram o Varejo e o Imobiliário, representando 35% do total, seguidos pelos setores de Saúde, Serviços Financeiros e Tecnologia, com um volume total médio movimentado de R$ 3.3 Bilhões por operação.

O volume movimentado de IPOs em 2020 só perdeu para o ano de 2007, no qual foi movimentado em torno de R$ 55 Bilhões. Por outro lado, em relação às Companhias que fizeram FOLLOW ONs, 2020 ficou 7% abaixo de 2019 e 46% menor em comparação com 2010, quando foi registrado o maior volume da história, devido à mega oferta de ações da Petrobrás para exploração do pré-sal na época.

A emissão de ofertas públicas é normalmente realizada pelas empresas para injeção de capital no próprio negócio, buscando investir em seu plano de crescimento, seja nas suas próprias operações ou por meio de aquisições. Eventualmente, a busca de recursos é por questão de necessidade de reestruturação de capital, trocando dívida com custo financeiro elevado por capital de novos acionistas.

O fato é que, de acordo com os indicadores citados anteriormente e a atual conjuntura, há espaço e tendência de crescimento no volume de ofertas, levando em conta os juros baixos e a existência de uma liquidez global de recursos.

Temos observado, ainda, que algumas empresas que estão optando por este caminho são novatas e até algum tempo atrás não seriam atrativas para os investidores mais tradicionais. Mas, aparentemente, isso mudou. Percebemos nos EUA uma forte tendência para realizações de IPOs para empresas que sequer possuem um negócio em operação. Trata-se das “SPACs” (Special Purpose Acquisition Company), constituídas com o objetivo de levantar recursos, via IPO, para adquirir outra Companhia operacional. Acreditamos que, muito em breve, essa tendência também será realidade no Brasil.

A verdade é que, tudo o que foi comentado até aqui, é altamente motivador para o empreendedor ou empresário que tem um belo projeto e acredita em seu potencial e em seu “Valuation” (preço da oferta) para atingir o nível de uma Companhia aberta.

Mas sempre lembramos que, para dar esse passo importante, é necessário antes olhar para dentro de casa e ver o que precisa ser arrumado. Traduzindo para o meio empresarial, estamos falando de boas Práticas de Governança e, para o atendimento das exigências do mercado e principalmente do Órgão Regulador, a Comissão dos Valores Mobiliários (CVM).

Neste contexto, temos que considerar: 

• Ter uma equipe de profissionais e consultores externos com experiência para organizar, obter e preparar todas as informações financeiras necessárias;

• Ter uma contabilidade societária adequada e atualizada, preparada de acordo com as Normas Contábeis Brasileiras e IFRS vigentes;

• Obter relatório de auditor independente em relação às demonstrações financeiras da empresa (três últimos exercícios e recorrente);

• Um sistema de gestão que permita segurança na geração de informações, no gerenciamento de riscos e nos controles internos;

• Uma estrutura administrativa com regras, políticas e práticas transparentes;

• Políticas muito bem definidas sobre Recursos Humanos;

• Uma Diretoria de RI (Relações com Investidores) atuante e altamente preparada para se comunicar com os investidores;

• O empresário (fundador, eventualmente) deixará de ser “dono” e se transformará em um acionista.

Por fim, o processo de IPO como um todo é extenuante e desafiador, mas se houver um bom planejamento e consistência do projeto, a possibilidade de êxito é grande. Para quem está pensando em buscar recursos por meio do mercado de capitais, avalie as considerações citadas acima. Cerque-se de profissionais (contadores, advogados, consultores e auditores) que conheçam muito bem o assunto, elabore um plano de ação e boa sorte!

 

  Marcelo Lico – CEO e Sócio Fundador 

Ativo na área de contabilidade desde 1986, atua há mais de 30 anos em auditoria e consultoria. Especializou-se em finanças corporativas e práticas de governança. Autor de diversos artigos e palestras relacionadas à governança e questões empresariais como um todo. Em 2001, fundou a Macro Auditoria e Consultoria, hoje Crowe Macro, na qual atualmente é responsável pela estratégia da operação no Brasil, além de liderar também a indústria de Real Estate dentro da companhia.

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