O momento atual de pandemia imputou um cenário de transformação aguda dos negócios e de uma forma muito mais ampla do que as empresas estavam habituadas nas interações com as mudanças mercadológicas, de concorrência e demandas dos clientes. Um exemplo recente que estava bastante presente no cotidiano dos empresários e executivos foi a demanda acelerada pela digitalização dos negócios, que atingia em cheio apenas alguns setores no período pré-pandemia. Na realidade atual, esta demanda por transformação teve sua abrangência e velocidade amplificadas de maneira inesperada, reforçando o dogma que as estratégias de longo prazo aliadas à capacidade de transformação separam os negócios resilientes daqueles que sucumbem às condições adversas.

Neste sentido, a estruturação de M&A é um assunto que deve estar na pauta de discussões estratégicas dos gestores que estão à frente dos negócios, sendo eles os empreendedores ou não.

Esta afirmação pode parecer ousada da minha parte, por ter empresários e executivos que viram seus negócios decolarem sem terem fusões e aquisições em pauta ou mesmo serem efetivamente ameaçados por não definirem estratégias neste sentido. Por outro lado, proponho a disponibilização de um tempo de reflexão sobre a afirmação acima, uma vez que M&A é um tema que vai ganhar importância em algum momento na trajetória de qualquer empresa.

Abaixo listo algumas considerações que são, na minha visão, importantes nesta reflexão:
As aquisições e fusões se tornaram rotineiras nos ambientes corporativos de todo mundo e ganhou escala e importância no Brasil nas últimas duas décadas. Este movimento superou o estigma que existia no país que a venda da empresa era sinônimo de fracasso do empresário, sendo pensado como o último recurso do empresariado tradicional das décadas de 80/90, passando a integrar a rotina do mundo corporativo para lidar com os desafios dos negócios.

Adicionalmente, estas operações podem ser vistas como atos de sofisticação e sabedoria dos empresários. Em alguns casos também são reconhecidas como sinônimos de sucesso e oportunismo empresarial.

Evidentemente o reconhecimento também está do lado comprador, que fortalecem e impulsionam seus negócios através de estratégias bem estruturadas de M&A e execução.

Neste ambiente, está cada vez mais explícitos os aspectos positivos desta mudança de comportamento dos empresários brasileiros, que estão cada vez mais preparados para discutir e definir estratégias permeadas de alternativas para financiar o crescimento sustentável da empresa, planejar um evento de liquidez sobre os ativos ou mesmo acelerar transformações imprescindíveis para o negócio, abrindo espaço para a busca por investidores financeiros ou estratégicos nacionais e internacionais.

Sobre outra perspectiva, a sociedade moderna já vivenciou e vai vivenciar diversos ciclos econômicos, que se movem em períodos de expansão e retração da atividade econômica e a perspectiva de vivenciar momentos de grandes adversidades é um fator decisivo para buscar alternativas de mitigação dos impactos destas situações, que podem ser originados por grandes crises como a gerada pelo COVID-19 ou por impactos produzidos através de alguma alteração mercadológica aguda.

Em ambas situações, os impactos podem ser sentidos pela maioria das empresas em todo mundo, mesmo as que não estão ligadas diretamente com a origem da contrariedade.

A preparação antecipada no sentido de manter uma pauta de discussão estratégica focada nos motivadores de valorização da empresa e sobre M&A, pode afetar de maneira positiva a velocidade de reação dos negócios em situação de estresse com potencial impacto na continuidade da empresa ou de uma linha de negócio, além de resultar na visualização prévia da exposição da companhia à riscos iminentes.

Passar por estas discussões previamente amadurecem a empresa no entendimento de potenciais ações e seus benefícios econômicos, tanto para os acionistas como para o ecossistema que a empresa está inserida.
Neste sentido, mesmo que a empresa não tenha foco na estruturação de uma operação de M&A, seja para captar recursos, crescer inorganicamente, acelerar inovação ou mesmo monetizar algum ativo; ela pode se preparar previamente para o momento que esta estratégia ganhe relevância em sua jornada.

A estruturação correta de estratégias de M&A é um fator crítico de sucesso e são realçadas em momentos de adversidades como a pandemia que estamos vivenciando, em que vemos as empresas que atuaram na construção dos seus gatilhos de valorização se sobressaírem no enfrentamento da crise. Um exemplo é a Weg, que tem um alto grau de eficiência na gestão, um fator importante em um cenário de incertezas, e consistência histórica dos resultados. A empresa também traçou uma estratégia bastante clara de acelerar sua transformação digital nos processos produtivos através de aquisições. Esse cenário em conjunto com a presença em vários países levaram a Weg crescer na crise, resultando em uma variação positiva de valor de mercado de 33% entre 31 de dezembro de 2019 e 19 de junho de 2020. A execução de maneira estruturada foi fundamental para o sucesso neste processo transformacional e foi evidenciado no enfrentamento da crise gerada pelo COVID-19.

Ter uma estruturação adequada, com o sequenciamento e organização corretos não é um privilégio apenas das grandes corporações, visto que o Brasil dispõe de prestadores de serviços atuando com profissionalismo, sofisticação e agilidade comparáveis com qualquer outro mercado de primeiro mundo que atuam em empresas de porte menor.

Desta forma, as empresas que efetivamente se desenvolveram e estruturaram suas estratégias focadas na perenidade da empresa, mesmo que se sobrepuseram à perenidade de seus sócios, têm sido mais resilientes à crise provocada pela pandemia e mais eficientes na concentração dos esforços de equipes e gestores, buscando capturar as oportunidades deixadas no período mais agudo da crise.

Por fim, vale ressaltar que, certamente, as organizações mais adaptadas ao “novo normal” serão mais eficientes no desenvolvimento dos seus negócios pós-crise e estarão em melhores condições de reagir a outras situações adversas.
Neste ambiente, a nossa visão é muito clara: um olhar de M&A, mesmo que de maneira precoce à uma necessidade atual, pode ser fundamental na valorização das empresas e na construção de organizações mais robustas, inclusive em períodos de enfrentamento de situações adversas.

Temos um time de profissionais especialistas e com larga experiência na estruturação do processo de M&A e serviços de Avaliação Econômica, para apoiar as empresas em todo ciclo, desde a avaliação das sensibilidades que influenciam a valorização do negócio até a efetiva estruturação de um processo de M&A, incluindo a preparação, precificação, abordagem e negociação no Brasil e no mundo.

     Luis Bracourt – Corporate Finance Partner

Atua há mais de 25 anos como executivo. Possui grande experiência em expansão internacional na América Latina, gestão empresarial, M&A, melhoria de eficiência e dinâmica do processo Start-ups. É atuante em processos de expansão e consolidação de negócios e também como assessor financeiro através de mandatos (buy-side e sell-side).

 

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