O movimento dos investidores, abandonando o conforto da renda fixa e partindo para investimentos de renda, com maior risco, mas com maior possibilidade de ganhos reais, parece irreversível. Falta um bom pedaço de caminho até chegarmos à maturidade de mercados como o norte-americano ou como o europeu, mas o rumo está traçado. E os ‘soluços’ recentes da Selic poderão causar alguns atrasos, mas não vão mudar o caminho que se desenha para o médio e o longo prazos.

A bolsa (B3) e os empreendedores podem seguramente comemorar. Recursos de capital com menor custo e compartilhamento dos riscos dos projetos de expansão são vantagens que nenhum empresário desprezará. A avalanche de operações de abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) em 2020 e o que vai de 2021 é sinal claro desse movimento e prenuncia sua continuidade, independentemente de quaisquer solavancos que o caminho possa trazer.

Ergo, os empresários, principalmente aqueles de empresas médias e, porque não, algumas pequenas, podem estar pensando em partir para essa maneira de financiar suas operações, reestruturar seu passivo, encarar planos de expansão.   Alguns elementos que precisam ser considerados:

  • A contabilidade está em ordem e a adoção dos princípios ditos internacionais (hoje maciçamente adotados no Brasil através das Normas Brasileiras de Contabilidade) foi completada com sucesso?
  • Os princípios efetivamente adotados na governança corporativa resistiriam ao escrutínio do regulador de empresas abertas?
  • Tem a empresa condições de organizar, desenhar e implantar uma função de auditoria interna eficiente assim que o capital for aberto? É bom que se frise que não necessariamente haverá necessidade de se ter um departamento ou área para essa função. E sempre será possível terceirizar essa função ou parte substancial dela.

Para conduzir o processo de IPO, é usualmente contratado um ‘sindicato’ de bancos e alguns escritórios de advocacia, todos com larga experiência em aberturas de capital.

Faltam ainda neste quadro dois atores importantes. O auditor externo, que deverá examinar os três últimos exercícios e assinar a chamada carta-conforto, tendo revisado a informação contida no prospecto e no Formulário de Referência (este último, uma exigência da CVM cujo escopo escapa à finalidade destas linhas).

E um outro ator, reconhecidamente com menos glamour e visibilidade que os anteriores, mas cuja atuação pode ser considerada uma das mais relevantes nesse processo, na imensa maioria dos casos: a firma de contabilidade e auditoria que auxilia a empresa a revisitar os três últimos exercícios em matéria de princípios contábeis, a reconstruir sua governança corporativa e a organizar-se para ter uma função de auditoria interna eficaz.

 

 

Ricardo Rodil – Lead Partner – C Markets
ricardo.rodil@crowe.com.br

Atua há mais de 40 anos na execução, gerenciamento e direção de trabalhos de auditoria e consultoria. Possui sólida experiência em consultoria estratégica a empresas estrangeiras no Brasil, trabalhos de due diligence, assistência pericial de parte em processos judiciais e arbitrais no Brasil e no exterior, conselho fiscal e mediação com especialidade em contabilidade e finanças.

Smart decisions. Lasting value.

© 2019 Crowe Macro Auditoria e Consultoria Ltda.
Crowe Macro Auditoria e Consultoria Ltda. is a member of Crowe Global, a Swiss verein. Each member firm of Crowe Global is a separate and independent legal entity. Crowe Macro Auditoria e Consultoria Ltda. and its affiliates are not responsible or liable for any acts or omissions of Crowe Global or any other member of Crowe Global.

Mostrar Aviso